30 de jul. de 2010

BOLSA ALFABETIZAÇÃO 

O Projeto Escola Pública e Universidade na Alfabetização, conhecido como Bolsa Alfabetização, é uma das principais ações do Programa Ler e Escrever, e prevê a atuação de estudantes universitários nas classes de 1ª série do Ensino Fundamental para auxiliar os professores dessas turmas na complexa tarefa de garantir a alfabetização das crianças que freqüentam a rede pública estadual de ensino de São Paulo. Os alunos pesquisadores, como são chamados os universitários envolvidos no projeto, são indicados por instituições de ensino superior parceiras. Além de atuarem no auxílio à alfabetização, eles são um importante elo entre a prática em sala de aula e a teoria desenvolvida na Universidade. Assim, o projeto permite um ativo e produtivo diálogo entre a escola e a academia, possibilitando recursos adicionais destinados à adequada formação dos futuros profissionais da educação. O Bolsa Alfabetização é promovido em resposta ao desafio de alfabetizar integralmente, até 2010, todas as crianças de 8 anos da rede estadual. Esta é uma das 10 metas do plano de desenvolvimento da Educação do Estado lançadas pelo Governo de São Paulo em agosto de 2007.

Visite o Site: http://www.escolapublica.sp.gov.br/ 

28 de jul. de 2010

Trechos do livro Limite Sem Trauma,
de Tania Zagury

Limites, sim ou não?
Antigamente, ninguém sequer discutia o assunto.
Criança não sabia e, portanto, precisava aprender. E nós, adultos, tínhamos de ensinar. De maneira que, por exemplo, quando o menino fazia algo errado, respondia mal à vovó, agredia um coleguinha ou não queria fazer o "dever de casa" os pais não tinham dúvidas - agiam, corrigiam, "davam castigo" - muitos até batiam!!! (Lá em casa, temos guardada uma aterrorizante e incrível palmatória - que meu marido, um belo dia, conseguiu com a ex-professora primária do meu sogro, para figurar na sua coleção de antigüidades... com o caráter especialíssimo de ter sido usada no avô dos meus filhos, quem haveria de crer hoje?)
Com as mudanças ocorridas durante o século XX, tanto no campo das relações humanas como no da educação, as pessoas foram aprendendo a respeitar as crianças, entendendo que elas têm, sim, querer (há pouco mais de três décadas nossos pais diziam com toda segurança "criança não tem querer", quem não lembra?), gostos, aptidões próprias e até indisposições passageiras - exatamente como nós, adultos.
Com isso, sem dúvida, muita coisa melhorou para as crianças - e, claro, para nós adultos também. O relacionamento entre pais e filhos ganhou mais autenticidade, menos autoritarismo. O poder absoluto dos pais sobre os filhos foi substituído por uma relação mais democrática. E o entendimento cresceu... Todos ficaram felizes... Será? Será que as coisas aconteceram assim de forma tão harmoniosa, com todos?
Na verdade, não. Em muitos casos, surgiram problemas, porque ocorreram uma série de enganos e distorções em relação a essa nova forma de relacionamento familiar.
E por quê? Será que essas novas teorias estavam, afinal, erradas? Em parte sim e em parte não. O problema maior que ocorreu - e ainda vem ocorrendo - é que muitos pais estão tendo sérias dificuldades para colo- car em prática essa nova forma de educar, que é de fato muito mais difícil.
Como saber a hora de dizer sim e a hora de dizer não? Aliás, perguntam-se, aflitos, muitos pais, há, de acordo com essas novas teorias, realmente uma hora para dizer não? Negar alguma coisa para os filhos parece um crime, um verdadeiro pecado atualmente, ou, no mínimo, um ato autoritário, um modelo antiquado de educar. Afinal, tantas obras publicadas indicam tudo que não se deve fazer e tão poucas oferecem realmente uma diretriz para clarear o caminho de quem quer bem orientar os filhos...
Muitos papais e mamães ficam em sérias dificuldades ao tentarem colocar em prática aquelas idéias tão lindas que tinham em mente ao iniciarem o longo e delicado caminho da formação das novas gerações: "comigo vai ser tudo diferente; não vou ser igual aos meus pais em nada...", afirmam, convictos. Cheios de boas intenções lá vão eles e... de repente, as coisas deixam de ser tão simples e fáceis. Ao contrário. O dia-a-dia parece se tornar muito, mas muito complicado mesmo. Ai, meu Deus, o que fazer?
Aquele relacionamento ideal, perfeito, em que a mamãe, com todo carinho (e com toda razão), explica (sem nenhum autoritarismo e cheia de compreensão), que aquele cd que o filhinho arranhou, tão inocentemente, tadinho - não era para ser riscado... mas, mesmo com toda conversa, com todo afeto demonstrado e outras tantas racionais explicações, o cd foi arranhado, sim. E não apenas um, mas vários! Explicado assim, com tanto carinho e amor, deveria ter funcionado, afinal usou toda a psicologia, não foi?... Então, o que está acontecendo? Depois de falar, explicar, sorrir, explicar de novo, acariciar, entender, compreender - tudo, tudo, conforme manda o figurino da nova educação - não é que parece que seu doce filhinho não entende o diálogo? Pois, afinal, não se foi para o lixo toda a ma-ra-vi-lho-sa coleção de cds do maridinho?... Como é que pode? E agora?
Onde foi que eu errei? perguntam-se, desesperados, os pais. Afinal, conversam, explicam, não agridem, não impõem, não batem, não castigam... e, no fim, a vida está virando um verdadeiro inferno, quanto mais fazem, mais os filhos querem que se faça, já não sabem mais o que dizer, como agir, estão desesperados! Um belo dia, percebem-se, admirados, a dizer "no meu tempo não era assim", aquela frase odiável que ouviram tantas vezes e, agora, quem diria, eles próprios a estão dizendo, e o que é pior, resolveram "virar a mesa", estão castigando os filhos, berrando, se escabelando, irritados, perdidos...
Parece o fim do mundo? Parece. Mas, felizmente, não é.
Já dizia Aristóteles, um filósofo que viveu muito antes de Cristo, "a justiça está no meio-termo". Ou seja, o que ocorreu foi que, no afã de atender aos reclamos da moderna pedagogia e da psicologia, os pais perderam um pouquinho o rumo - e, sem querer, exageraram na dose - quiseram tanto acertar que, por vezes, erraram. Mas, calma, nada que não tenha remédio! Algumas regras básicas são suficientes para colocar a casa em ordem e a vida em paz!...
E é exatamente o que vamos fazer aqui: explicar com clareza e objetividade como ser um pai moderno - sem perder a autoridade, sem deixar que os filhos cresçam sem limites e sem capacidade de compreender e en- xergar o outro - habilidades básicas e essenciais para quem deseja criar cidadãos, seres humanos capazes de praticar o humanismo com a mesma naturalidade com que respiram!
Para possibilitar o surgimento desse ser humano maravilhoso é necessário que os pais tenham certeza de uma coisa: dar limites é importante. Não pode haver dúvidas quanto a isso. Antes de começar é preciso pensar - e decidir. É fundamental acreditar que dar limites aos filhos é iniciar o processo de compreensão e apreensão do outro (atualmente muita gente acredita que o limite provoca necessariamente um trauma psicológico e, em conse- qüência, acaba abrindo mão desse elemento fundamental na educação). Ninguém pode respeitar seus semelhantes se não aprender quais são os seus limites - e isso inclui compreender que nem sempre se pode fazer tudo que se deseja na vida. É necessário que a criança interiorize a idéia de que poderá fazer muitas, milhares, a maioria das coisas que deseja - mas nem tudo e nem sempre. Essa diferença pode parecer sutil, mas é fundamental. Entre satisfazer o próprio desejo e pensar no direito do outro, muitos tendem a preferir satisfazer o próprio desejo, ainda que, por vezes, prejudique alguém. Porque, afinal, nem sempre o que se deseja é útil e correto socialmente, querem ver?
- Pode morder e arrancar os cabelos do amiguinho só porque ele pegou seu brinquedo favorito? Não, é claro.
- Pode dar vontade de entupir o vaso sanitário da escola com papel higiênico? Não, não pode.
- Pode dar vontade de jogar uma mesa do segundo andar de um prédio, só para ver o que acontece com o chão, lá embaixo? Não, não pode.
- Pode dar vontade de pichar as paredes branquinhas do prédio novo lá da praça? Não, não pode não.
- Pode dar vontade de dirigir, depois de beber duas doses de uísque? Não, não pode.
- Pode dar vontade de correr como o vento na nova bicicleta de vinte marchas e nem ao menos reduzir um pouco, ao vislumbrar uma velhinha atravessando a pista? Não, mas acontece... e a cada dia mais...
- Pode dar vontade de pegar aquela bolsa lindinha e nova que a amiga comprou e levar para você? Também não pode não.
- Pode fingir que não percebeu que a conta do restaurante veio totalizada a menos e não falar nada? Não, não e não!
- Pode dar uma facada na namorada que o deixou por outro? Jamais! Porém acontece!
- Pode dar vontade de jogar álcool no mendigo e atear fogo, só de brincadeirinha? Não, não pode.
Mas só vai responder "não, não pode não" quem desde pequenino tiver aprendido que muitas coisas podem, e muitas outras não podem e não devem ser feitas, mesmo que dêem muita vontade ou prazer. E tudo bem. Somos felizes assim, respeitando e tendo algumas regras básicas na vida. Especialmente se aprendemos a amar o outro e não apenas a nós próprios.
E, nós, os pais, queremos muito ver nossos filhos crescendo no rumo da felicidade, não queremos? Então temos de ajudá-los nisso. Porque ninguém, ao vir ao mundo, sabe o que é certo e o que é errado. O ser humano, ao nascer, não tem ainda uma ética definida. E somos nós, especialmente nós, os pais, que temos esta tarefa fundamental e espetacular - passar para as novas gerações esses conceitos tão importantes e que conferem ao homem sua humanidade.
Então, se estamos todos de acordo, mãos à obra! Vai valer a pena!


Fonte:
http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/131102/limite.html

Curso para docentes da rede estadual

O REDEFOR é fruto de um convênio entre a SEE-SP e a USP, a UNESP e a UNICAMP para a oferta de cursos de pós-graduação.
São 16 (dezesseis) cursos de especialização: 13 (treze) nas disciplinas do currículo e 3 (três) cursos de gestão. Os cursos são oferecidos na modalidade a distância e contam com encontros presenciais.
Os cursos de especialização, em nível de pós-graduação, elaborados pelas melhores universidades do País, têm duração de um ano, e espera-se que tenham impactos positivos na formação em serviço e consequentemente no resultado de aprendizagem dos alunos da rede pública estadual.
Todas as orientações para as pré-inscrições aos cursos do REDEFOR estão disponíveis em “Inscrições”, no documento “Regras de inscrição”. As pré-inscrições devem ser realizadas entre 26 de julho e 10 de agosto.
Organize-se junto ao grupo de sua Diretoria de Ensino ou Escola e participe!

26 de jul. de 2010

Segundo Semestre

E vamos nós...professores da rede pública! 
Iniciemos nosso segundo semestre com forças dobradas e com  esperanças de um semestre melhor. É preciso acreditar que muitos projetos ainda poderemos concluir, que somos capazes de aplicar tudo que aprendemos em nossa caminhada como educadores. 
Em tempos difíceis como os que estamos vivendo, somos realmente melhores, porque enfrentar uma sala de aula nos dias atuais, é um grande desafio, sabemos que é preciso entrar em sala de aula, mas não temos a certeza de dela sair!
Esse novo semestre trará muitos desafios, políticos, pedagógicos, administrativos, é preciso pensar em tudo que sofremos dentro da organização educacional do estado, tentar mudar, trazer novas idéias, precisamos de novos paradigmas!
Boa sorte e bom semestre a todos!

24 de jun. de 2010

DISLEXIA E MATEMATICA

  • DISLEXIA E MATEMÁTICA
    Inicialmente vamos esclarecer o que é ter dificuldades em matemática. As pessoas geralmente falam que não se saem bem em matemática, quando de fato querem dizer que apresentam dificuldades em aritmética. A aritmética é uma parte da matemática, está associada aos raciocínios lógicos, perceptivos e sensoriais: formas, tamanhos, espaço, dimensão e quantidade.
    Alguns disléxicos têm problemas com aritmética e outros aspectos da matemática, assim como com a linguagem escrita. 
    A incapacidade de compreensão dos números e das operações, também chama-se discalculia e portanto está ligada a dislexia.
    Muitos disléxicos têm dificuldades para adquirirem rapidez e fluência em simples cálculos: adição, subtração, multiplicação, divisão e na tabuada, mas eles poderão ter, não obstante, boa habilidade em matemática.
    Este fato acontece porque não há áreas do cérebro que só se ocupem especificamente da leitura e soletração. As áreas usadas para a linguagem escrita são usadas também para outros materiais simbólicos, incluindo números, fórmulas, gráficos, diagramas, espaço-tempo, etc. 
    Assim, se há um problema nessas partes do cérebro, será afetado o processamento eficiente de qualquer material simbólico, linguagem e matemática incluídos, significa que as falhas em uma área de aprendizagem podem estar freqüentemente vinculadas a falhas em outras áreas.
    O propósito da intervenção baseia-se na estimulação da aprendizagem nas seguintes áreas, manipular, seriar, classificar, transportar, juntar, copiar. Portanto falamos em desenvolver o pensamento pré-operacional e operacional, segundo Piaget.
    Para entendermos melhor, vamos ver quais são as semelhanças superficiais entre a linguagem escrita e a matemática:
    • ambas são linguagens representadas por símbolos que apresentam pequena ou nenhuma relação com as situações e eventos que eles descrevem. Portanto usar uma letra /a/ ou um número /4/ é uma representação simbólica igualmente. Pouco ou nada tem haver com a representação concreta.
    • os dois símbolos( letras ou números) têm estruturas e requerem uma ordem e seqüência para serem usados eficientemente.
    • os dois requerem facilidade verbal, para uma aprendizagem fluente e memorização. Memória a curto prazo é também importante para ambos.
    Essas são só algumas das semelhanças entre linguagem e matemática. Quando nós consideramos tudo isso, não é surpresa que indivíduos com dificuldades na linguagem do tipo da dislexia tenham freqüentemente dificuldades em matemática.

    Encontramos dois subgrupos de disléxicos que apresentam dificuldades em matemática:

    1. Aqueles que compreendem os conceitos mas são incapazes de representá-los no papel, isto é, eles sabem que processo ou operação usar, mas não conseguem fazê-lo com precisão. Por exemplo: Compreendem uma situação problema, sabem até que operação deveriam fazer, mas não conseguem “traduzir” na escrita.

    2. Aqueles que têm pouca ou nenhuma idéia porque os números ou símbolos são usados. Essas pessoas não compreendem os conceitos subentendidos em matemática.

    Os resultados das pesquisas em dislexia e matemática variam consideravelmente, e uma estimativa conservadora, baseada em estudos iniciais (Joffe, 1981), sugeria que quase 60% dos disléxicos têm alguma dificuldade em matemática, dois terços dos disléxicos encontram-se na faixa etária entre de 8 a 14 anos, 11% dos disléxicos são excelentes em matemática e 29% tem bom desempenho.


  • OBSERVANDO, ENTENDENDO E TRABALHANDO AS DIFICULDADES

    Vamos observar o processo de raciocínio da pessoa, para entender seu estilo cognitivo de aprendizagem,só então intervir de maneira adequada:


    • A criança está tendo inabilidade para contar números para trás ou para frente de dois em dois ou de três em três. Salta a numeração, desorganiza-se, fica nervosa, logo quer desistir. A ansiedade, o medo de errar, começam a instalar-se na vida afetiva da criança, temos que ter o cuidado para proporcionar uma forma de sucesso, melhorando a auto estima e confiança. Este comportamento aparece com freqüência, pela fragilidade de percepção corporal-espacial, como conseqüência alterações na orientação, lateralidade e seqüência. Exercícios que ajudam: dê os vizinhos (usando como apoio uma régua numerada), jogos que usem dados, dominó, resta um, dama, ludo, brincadeiras e atividades desportivas. Resumindo, atividades que exercitem movimentos para frente e para trás, mas sempre de forma lúdica e divertida.

    • O aluno numa conta de adição: 8 + 3. Geralmente começaria a contagem de oito, porém o disléxico vai começar do 0 ou 1, 2, 3,4... até chegar no oito e depois começar: 0 ou 1, 2, 3. Isto ocorre freqüentemente pela falta de compreensão dos traços gerais do número, da ordem, estrutura seqüencial. Eles precisam sempre do referencial (início, meio e fim). Usar os dedinhos, palitos de sorvetes, palitos de fósforo, clips, contas, canudinhos, contador, ábaco...

    • Este mesmo comportamento pode acontecer numa conta de multiplicação: 3x 4. Ele irá começar por 3 x 1,... É importante ensinar a multiplicação como uma adição simplificada. Usar um modelo concreto. Precisamos mostrar o modelo mental na prática, nunca decorar a tabuada mecanicamente. O que precisamos ensinar é como se chega ao resultado. Por exemplo:
    3 x 5 = 15
    Tenho três vezes o número cinco. Coloco um desenho representando o processo. Manter sempre a unidade e dezena nos lugares correspondentes:

    • Usualmente a criança com dislexia poderá fazer confusões nos sinais (+) da adição e (x) da multiplicação. Sugiro usar cores diferentes para destacá-los. Mas a cor deverá sempre ser padronizada.

      Às vezes mesmo com todo auxílio concreto a criança com dislexia poderá continuar apresentando dificuldades em realizar a tabuada. É útil reconhecer esta limitação e fornecer materiais que auxiliem o trabalho mental. O uso de réguas numeradas, calculadoras, tabuadas confeccionadas pela própria criança, é muito mais eficiente, do que manter uma angústia do não conseguir realizar um cálculo mental.

    • O valor da posição das casas numéricas deverá ser trabalhada com quadros de pregas, jogos confeccionados pelos alunos e professor, material curisineire ou material dourado. Procurar realizar as contas em papel quadriculado, determinando as casas de unidade, dezena, centena e milhar. O uso do computador também é outro recurso. Existem joguinhos e exercícios que podem ser adquiridos e usados, são os softwares educativos.

    • Os problemas de memória a curto prazo e as dificuldades de compreensão do sistema de valor da posição, podem dificultar. A ajuda mais adequada é ir guiando o manejo da conta: transportar o número, escrever em cima ou do lado qual numero que elevou ou tirou.

    • Outras complicações podem aparecer na divisão. Também é importante usar a forma passo a passo:

    • A troca, a inversão e a direção dos números acontece. Exemplo: 3 por 5, ou escrever em espelho, mudar a orientação. Requerem atividades com numerais em relevo, de diversas texturas. Nesta situação o que precisa ser trabalhado são as imagens mentais, funções sensoriais e cinestésicas. Exemplo: brincadeira de colocar vários números de diversos tamanhos e formas num saquinho e pedir para a criança vendada retirar um. Depois tateá-lo e escrever na lousa ou no papel. Estamos estimulando a imagem mental, orientação espacial e sensibilidade tátil-cinestésica.


      • Na área geométrica procurar sempre construir as figuras geométricas, medí-las para achar o perímetro. O emprego dos blocos lógicos é importante, bem como as diversas formas, dimensões, espessuras, tamanhos e cores. Usar coisas do dia-a-dia. Exemplo: Pegar uma caixa de sapatos e descobrir suas medidas, como foi feita a caixa, desmontar e montar, ver que forma é, realizar operações matemáticas para achar suas dimensões, quanto preciso de papel para encapá-la, fazer outra de tamanho diferente, forma diferente.

      • Sistema Monetário: nada melhor que o tradicional, jogo do Banco Imobiliário. Confeccionar cédulas e moedas de papelão com vários valores, talões de cheques para aprender a escrever por extenso, desenhar as cédulas, observando os detalhes, a cor, o uso das moedas como centavos. Brincar de supermercado, para estabelecer valores das coisas, por consequência efetuar as operações fundamentais. O raciocínio em problemas deverá sempre ser realizado através do concreto e depois efetuar a solução. Usar calculadoras, contador, ábaco.

      Proponho o seguinte esquema conceitual ( Fonseca, 1988):


      CONSIDERAÇÕES FINAIS

      A satisfação das necessidades e dos valores da criança deve ser altamente respeitada. Sabemos que o corpo é algo absolutamente importante na vida afetiva do ser humano. As relações corporais entre o feto e mãe, preparam para todas as noções cognitivas e afetivas futuras.
      Desta primitiva estrutura simbiótica surgem às ligações relacionais, posteriormente o primeiro sorriso do bebê, os sinais de contentamento, as conquistas do seu desenvolvimento gradativamente vão aparecendo.
      A importância da outra pessoa no desenvolvimento da noção do corpo é fundamental. A consciência de si se constrói pouco a pouco. É para o outro que a criança dirige todas as suas potencialidades afetivas, que são a base de seus investimentos motores sobre o mundo.
      A autora Alícia Fernandes (1998) descreve em seu livro os “corpos cadernos” - o corpo dos alunos tendo seu representante simbólico o caderno na sala de aula. Ao olharmos mais atentamente a maneira que a criança se relaciona com seu material escolar, sua caligrafia, seu jeito de comporta-se; vamos nos aproximando de como esta criança se sente, e como reflete seus afetos, sua motricidade, nos seus pertences.
      Segundo Piaget, o mundo exterior é para a criança uma totalidade alimentada por esquemas sensorio-motores: ação, objeto, corpo e mundo exterior constituem uma estrutura totalizante. A construção da imagem corporal, feita a partir dos dados afetivos, cinestésicos, vestibulares (equilíbrio), visuais, auditivos, sensitivos, insere-se em toda a história vivida do individuo.
      Pelo exposto, trabalhar a criança, jovem ou adulto com dislexia, é antes de tudo, atender uma necessidade daquele ser humano inteiro. Sendo assim, partimos do pressuposto do ser criativo/criador, que deverá ser investido em seus aspectos globais: afetivo-relacional, psicomotor, cognitivo, pedagógico e social.


      BIBLIOGRAFIA SUGERIDA:

      “O Ser e o Viver”
      Julio de Mello Filho
      Ed. Artes Médicas

      “Dislexia”
      J. Ajuriaguerra
      Ed. Artes Médicas

      “Inteligência Aprisionada”
      Alicia Fernandes
      Ed. Artes Médicas

      “Psicomotricidade”
      Vitor da Fonseca
      Ed. Martins Fontes

      “O Nascimento da Inteligência na Criança”
      Jean Piaget
      Ed. Imago





16 de jun. de 2010

Citações do livro " A Evolução psicológica da criança", Wallon

A Evolução psicológica da Criança 

1. A infância e seu estudo.

1.1. A crinaça e o adulto.
" Para a criança, só é possível viver sua infância. Conhecê-la compete ao adulto"

1.2 Como estudar a criança.
"(...) é muito difícil observar a criança sem atribuir-lhe algo de nossos sentimentos ou de nossas intenções. Um movimento não é um momento, mas o que o nosso ver ele exprime. E, a menos que tenha muita prática, é a suposta significação que registramos, omitindo em maior ou menor medida a indicação do próprio gesto."

WALLON, H. A evolução psicológica da criança; com introdução de Émile Jalley; tradução Claudia Berliner; revisão técnica Izabel Galvão. São Paulo. Martins Fontes, 2007.


30 de abr. de 2010

27 de abr. de 2010

O OLHAR PSICOPEDAGÓGICO


"Os olhos talvez não consigam ver o que a alma reluta em transparecer"
Eliane Lima Barbosa
Cabe a nós psicopedagogos interpretar além daquilo que vemos.